Trabalho x Cassino
A clássica teoria de que brasileiro é um povo preguiçoso, que adora feriado e não gosta de trabalhar cai por terra com alguns exemplos argentinos, que já tratamos aqui. Pois depois dos bancos e órgãos públicos que fecham para que seus funcionários participem de ato com a presidente ou dos feriados que caem sábado ou domingo e são transferidos para dias úteis, há uma novidade por aqui.
Na cidade de Santa Fé, capital da Província de mesmo nome, um deputado apresentou um projeto para que o único cassino da cidade, aberto 24 horas, feche das 7h às 13h. Acontece que os funcionários públicos têm ido torrar dinheiro no cassino quando deveriam estar trabalhando.
Aberto há menos de dois meses, o cassino atrai 12 mil pessoas por dia, segundo o jornal La Nación, e quatro vezes isso nos fins de semana.
O projeto do deputado Darío Boscarol, da UCR, busca evitar que empregados públicos joguem no horário de trabalho. Para outro deputado, Leonardo Simoniello, da Frente Progressista, que também defende o projeto, o problema atinge tanto empregados do setor público como de empresas privadas. "Estigmatizar o empregado público me parece desnecessário."
Ele afirma também que o cassino estaria afetando a atividade econômica da cidade, promovendo "uma importante fuga de dinheiro" de comércios e afins para a jogatina.
No cassino, dizem que os únicos funcionários públicos que aparecem por ali, das 7h às 13h, são os da loteria, que fazem o controle e supervisão do local.

Escrito por Adriana Küchler às 17h08
Piquete no Obelisco
Buenos Aires e seus cidadãos já estão mais do que acostumados ao caos de trânsito diário (nada comparado a São Paulo, mas eles sofrem porque não tem o elemento de comparação), causado não só pelo excesso de veículos, mas pelos diferentes piquetes realizados por diferentes movimentos sociais pela cidade.
Pois ontem de manhã o caos no trânsito foi causado por um protesto de uma entidade gringa. Membros do Greenpeace escalaram o Obelisco, um dos principais pontos turísticos da cidade, para pedir o cumprimento da lei "lixo zero", que promete a redução de resíduos que se enterram em aterros sanitários.
Ficaram por ali durante umas quatro ou cinco horas, mas ninguém ligou muito para a questão ambiental. A grande preocupação dos argentinos e das TVs locais era o tamanho do engarrafamento que o protesto tinha causado. Oito ativistas foram detidos.
O Greenpeace se justificou. Disse que se o governo não tivesse acionado um contingente desproporcional de policiais e bombeiros para retirar os ativistas do local, nem fechado a rua Corrientes, uma das principais da cidade, a ação não teria causado nenhuma confusão. Hoje, um novo dia com novos piquetes, ninguém mais lembrava da performance do Obelisco e do tal "lixo zero".
Foto Greenpeace
Escrito por Adriana Küchler às 18h47
Turista paga mais caro
Uma reportagem publicada no jornal "Clarín" do último domingo traz uma notícia nada animadora para os turistas brasileiros, que se denunciam rapidamente pelo sotaque. Apesar de proibido por lei, muitos serviços em Buenos Aires custam mais caro para turistas do que para locais. As diferenças de preço estão em hotéis, passagens aéreas e até em aulas de tango.
O jornal fez um teste e descobriu que uma mesma aula individual pode custar 70 pesos para um argentino e 150 pesos para um americano (um consolo: americanos e europeus costumam sofrer mais que latino-americanos com o superfaturamento). Em um hotel do centro da cidade, o argentino pagou US$ 53 pela diária, e o estrangeiro, US$ 63.
Segundo uma representante de uma entidade de defesa do consumidor, nas lojas para turistas, costumam colocar preços sem a moeda e, segundo a cara do turista, decidem se vão cobrar em pesos, dólares ou euros. Aos marinheiros de primeira viagem, alguns taxistas cobram em dólares o valor em pesos que mostra o taxímetro.
Os turistas entrevistados pelo jornal não pareciam se importar muito com a "viveza criolla" (a malandragem argentina). Um deles, um mexicano, acha que sai no lucro ao pagar em pesos para viver uma experiência européia.
Foto: insolitism.blogdiario.com

Um retrato da "viveza criolla", aplicada aos estrangeiros que visitam o país
Escrito por Adriana Küchler às 20h14

