Tangos e Tragédias
Tangos e Tragédias
 

Cinzas no gramado

Depois de vender cinzas do vulcão Chaitén na internet, os argentinos inventaram outra maneira criativa de lidar com outras cinzas. Durante as visitas guiadas ao estádio da Bombonera, familiares ou amigos de torcedores fanáticos do Boca jogam as cinzas de seus entes queridos no gramado.

 

A idéia não seria exclusiva do Boca, segundo o jornal "Crítica". Dizem que no seu rival, River Plate, haveria 40 pedidos do tipo por mês. O problema é que descansar sob as chuteiras de seus ídolos é proibido nesses e em outros clubes. Na Bombonera, a visita guiada serve para que os fanáticos cometam a infração sem ninguém ver.

 

No entanto, o diretor de obras do Boca explica que as cinzas queimam o frágil gramado e aí tem que ser aspiradas e acabam num leito menos nobre: a lata de lixo.

 

Os torcedores do Boca não precisavam passar por isso, já que, desde 2006, têm um setor reservado pra eles em um cemitério da Grande Buenos Aires. A decoração é feita com flores amarelas e azuis e as lápides trazem o escudo do clube.

Setor do cemitério reservado aos "bosteros"

Escrito por Adriana Küchler às 00h12

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dia Internacional do Comentarista de Blogs

Queria me adiantar, até para dar tempo de vocês comentarem, e deixar aqui os meus parabéns para os meus comentaristas já cativos e também para os eventuais pelo Dia Internacional do Comentarista de Blogs, no próximo domingo dia 15.

O dia "internacional" surgiu na Argentina, claro, para marcar uma data não muito comemorativa. Nessa data, em 2004, um internauta matou outro, na Província de Chaco, depois de uma discussão virtual no blog La Culpa del Tomate (que não localizei, deve ter se extinguido).

         Vários encontros acontecem em Buenos Aires e em outras Províncias argentinas nos próximos dias para comemorar a data. O jornal “Clarín” também promove o encontro de quem quiser armar sua própria celebração.

         Feliz dia!

Escrito por Adriana Küchler às 00h53

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

CQC original X CQC exportação

Ao contrário do que acontece no Brasil, onde os repórteres do programa foram impedidos de entrar no Congresso, aqui na Argentina os “noteros” do “CQC” têm acesso livre a praticamente todas as instâncias e representantes do governo. A questão aqui é saber se isso é bom ou ruim.

 

A presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner simplesmente não dão entrevistas. Coletiva de imprensa, nem pensar. Correspondentes estrangeiros eles não querem ver nem pintados. Um tanto frustrante para os jornalistas que trabalham por aqui.

 

Corre a lenda de que um jornalista dos nossos tentou abordar Kirchner na saída de um evento e o ex-mandatário respondeu na maior ironia: “não falo brasileiro”. O correspondente, é claro, o abordou em espanhol.

 

No entanto, Cristina e Néstor não poupam simpatia e palavras quando aparecem os repórteres do “CQC”. Só dão entrevista para o programa. Dia desses, um deles até entrou no helicóptero presidencial. Por aqui, alguns fãs têm reclamado que o programa não é mais o mesmo; que, para garantir esse privilégio, os jornalistas têm deixado de lado uma das suas características essenciais: o senso crítico.

 

(Cá entre nós, acho o “CQC” um dos melhores programas da TV argentina -se não o melhor- e seus repórteres divertidos e competentes. Mas, como não acompanhei as outras tantas temporadas do programa, reproduzo aqui o que ouvi de locais)

 

Em tempo, o “CQC” (aqui Caiga quien Caiga, que não soa muito bem em português) é original da Argentina. Criado em 1995, sua fórmula já foi exportada para Espanha, Itália, Chile, França e Israel, além do Brasil.

 

Em tempo 2, vai o link para o Blog do Tas para quem quiser apoiar a campanha pela volta do programa ao Congresso.

 

Vídeo em que o repórter Gonzalo Rodriguez garante declarações de Cristina e Néstor Kirchner duas vezes no mesmo dia.

Escrito por Adriana Küchler às 00h26

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Hillary Cristina

                A presidente argentina Cristina Kirchner completa hoje seis meses de governo sem muito pra comemorar. A revista americana “Time” da semana passada traz uma matéria sobre a crise entre o governo argentino e o setor agropecuário com um título que poderia ser traduzido como “Um derretimento (ou uma lambança) para a Hillary argentina”.

 

                Publicada pouco antes que a senadora americana desistisse da possível candidatura à presidência pelo Partido Democrata, a revista diz que as carreiras de Hillary Clinton e da presidente da Argentina sempre foram muito similares –especialmente neste momento.

 

                “No ano passado, ambas estavam voando alto, mas enquanto Clinton parece estar desaparecendo da corrida presidencial americana, a presidência de Fernández está em processo de queda.”

 

 Na verdade, as pesquisas de opinião sobre Cristina estão mais no território de George W. Bush, diz a revista, com somente seis meses de governo.

 

“Em outubro do ano passado, Cristina Fernández, a senadora peronista aclamada ao mesmo tempo como ‘a nova Evita’ e ‘a Hillary latina’ ganhou as eleições com 45% dos votos. Mas agora, velhos fantasmas da problemática Argentina dos anos 70 e 80 –inflação, conflito de classes e a ameaça de greves- voltaram.”

 

Hillary e Cristina, ainda sorridentes, em encontro de líderes mulheres em 2004

Escrito por Adriana Küchler às 20h37

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Café literário

Personagem de vários livros e segunda casa de uns tantos escritores, o Bar Británico é um dos clássicos de Buenos Aires. Com tanta coisa para ver no bairro de San Telmo, é bom anotar o endereço do café para não esquecer de passar por ali. Pra gente é fácil: rua Brasil, esquina com Defensa.

 

Uma das histórias mais interessantes do Británico é que ele herdou o nome dos imigrantes ingleses que se estabeleceram na região, mas, durante a Guerra das Malvinas, foi rebatizado de Bar Tánico porque os argentinos não podiam ver os britânicos nem pintados de ouro nos letreiros fileteados do bar.

 

O personagem Bruno Cadogan, do livro “O Cantor de Tango”, de Tomás Eloy Martinez, gastava aí suas tardes e perdeu “muitas horas de trabalho ouvindo o garçom enumerar todas as vezes que Borges passara por ali para beber um cálice de xerez e que Ernesto Sábato se sentara à mesa que eu ocupava para escrever as primeiras páginas de seu romance ‘Sobre Heróis e Tumbas’”. São algumas das lendas do café.

 

Para o jornal “Página 12”, “se a energia criativa pudesse ser medida como a sísmica, o bar registraria um dos índices mais elevados da cidade”.

 

No meio de um bairro turístico, ainda reúne muitos casais de cabelos brancos e grupos de jovens locais. Tem um bom sanduíche de pão de miga e atendimento atencioso –do café não sei porque a máquina estava quebrada. Boa desculpa para voltar.

 

Escrito por Adriana Küchler às 22h28

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Balada globalizada

A Revista da Folha de hoje traz uma matéria sobre casas noturnas que estão se espalhando por diferentes países. Os amigos e colegas de Folha Gustavo Fioratti e Daniel Bergamasco visitaram as boates Pacha de São Paulo e de Nova York, respectivamente. Como a Revista circula apenas em São Paulo, achei interessante reproduzir aqui o texto sobre minha experiência na Pacha de Buenos Aires, que há 15 anos reúne os fãs de música eletrônica da cidade.

 

"Todo santo domingo, ou madrugada de sábado para domingo, o templo da música eletrônica argentina abre suas portas para receber os fiéis. O rito já acontece há 15 anos, mas não parece perder a força: a lotação de 2.200 pessoas sempre se esgota. A globalização da marca ajuda a manter a meta; além de criar fidelização, encontrar um lugar conhecido pode ser a salvação para um baladeiro perdido em terras gringas. Não à toa, 25% dos freqüentadores da Pacha Buenos Aires são turistas.

 

“O estilo aqui é à vontade, cada um na sua”, analisa a DJ carioca Mary Zander, atração da noite na pista externa. Mary, que foi a única DJ mulher do Skol Beats em 2005, decidiu se mudar para Buenos Aires há três meses. “Como aqui a cena [eletrônica] é mais antiga, as pessoas se jogam mais, têm mais ‘conceito’. Adoro tocar para esse público.”

 

O DJ residente da Pacha portenha é Marcos Paz, mas, assim como em quase toda filial do clube, a grande atração são os convidados estrangeiros, como Chemical Brothers, Fat Boy Slim e Carl Cox, que já tocaram por lá. No dia da visita da Revista, a atração, em um palco brilhante que mais lembra cenário de aniversário de criança, era o americano Derrick Carter, um dos mais importantes da house, que tomou conta da pista entre as 4h e as 6h.

 

Em Buenos Aires, a noite é mesmo uma criança. O clube abre à 1h. Ninguém se mexe antes das 2h, uns gatos pingados dançam timidamente até as 3h. E a pista só bomba mesmo a partir das 4h. A brincadeira vai até o galo eletrônico cantar, lá pelas 7h, 7h30.

 

Para resistir até de manhã, o drinque preferido do local é o speed (versão local do energético) com vodca. Cerveja ninguém toma. “Mas a bebida mais pedida mesmo é a água”, diz um dos barmen que se espalham pelos oito bares das três pistas, enquanto faz mímica como se tomasse uma pastilha e bebesse água depois. “Por isso, é tão cara.” A água custa 10 pesos, e os refrigerantes saem por 5 pesos. Na pista, a informação do barmen é comprovada. Quase toda figura de óculos escuros carrega a sua garrafinha enquanto dança com os braços para o alto.

 

Na área VIP, o clima é pouco intenso: mais pose e menos dança. Na Pacha dos “hermanos”, há duas delas. Por uma, você pode pagar para ser especial (veja abaixo). Na outra, vai ter que se esforçar mais um pouco para virar amigo do dono ou do relações públicas da boate, que decidem quem (modelos, artistas, famosos e endinheirados em geral) entra ou não no chamado espaço privê.

 

Os VIPs convidados têm direito ao bar e à pista exclusivos, onde o som é mais pop, “tipo o que toca na rádio”, explica o RP Marcelo Meca. Ao som de Alanis Morissette, o economista Marco Pizoroluso, 28, dança cercado de muitos colegas e com cara de poucos amigos. Diz que quem está ali “não é tanto para se divertir, mas para fazer uma ‘social’”. Gosta da Pacha, mas não da “mistura”: “Tem muita gente ‘cool’, alguns que são importantes, outros que estão na moda e os que querem mas não são nada disso”."

 

inauguração: 1993 - área: 3.000 m2 - número de funcionários: 140 - capacidade: 2.200 pessoas - valor da entrada: 50 pesos (R$ 26), mesmo em dias de DJs hypados - valor do camarote/área VIP: 100 pesos (R$ 53), 1.000 pesos (R$ 530) a mesa para seis pessoas e 1.500 pesos (R$ 795) a mesa para dez pessoas - preço do drinque mais pedido (Speed -energético com vodca): 30 pesos (R$ 16) - preço da Coca-cola: 5 pesos (R$ 2,60) - preço da água: 10 pesos (R$ 5) - endereço: av. Costanera Norte y Pampa, CP. 1428, tel: 00/xx/54/11/4788-4280

 

A Pacha de Buenos Aires; a foto é do ótimo fotógrafo

local Hernán Zenteno, que me acompanhou na missão

Escrito por Adriana Küchler às 20h50

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terra Nostra

     O caderno Brasil da Folha de hoje traz uma matéria especial em torno do debate sobre se deve haver restrições à venda de terras a estrangeiros no Brasil. O especial também traz um panorama de como a coisa funciona, na Argentina, no Uruguai e no Chile. Publico aqui um material que acabou ficando de fora do jornal, sobre um polêmico milionário comprador de terras na Argentina e no Chile.

     "Entre movimentos sociais que reivindicam a restrição de vendas de terras para estrangeiros, tanto na Argentina quanto no Chile, o grande inimigo da causa é o magnata Douglas Tompkins.

     O americano é proprietário de cerca de 300 mil hectares na Província de Corrientes (que recentemente decidiu restringir a venda de terras a estrangeiros), outros 110 mil em outras áreas argentinas e ao menos mais 300 mil no sul do Chile, área que transformou num parque nacional.

     Ex-empresário do setor de vestuário, Tompkins e sua mulher, Kristine, têm três fundações ambientalistas e se declaram "ativistas do meio-ambiente inspirados nos movimentos dos anos 60 e 70". Diz que compra terras nos dois países para recuperar a flora e a fauna da região e promover a agricultura orgânica.

     Seus críticos, no entanto, afirmam que o americano quer se apropriar de terras virgens e de reservas de água doce, que podem ser estratégicas no futuro. Grande parte da propriedade de Tompkins em Corrientes está na reserva Iberá, onde fica o aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce da Argentina.

     Em Iberá, moradores denunciaram perseguições por parte de empregados de Tompkins, que teriam tentado desalojá-los do local.

     No mês passado, no Chile, entrou em debate a possibilidade de expropriar as terras de Tompkins para realocar os desabrigados pela erupção do vulcão Chaitén, que não tinham para onde ir.

     Tompkins diz que seu estilo de filantropia é "difícil de entender". À revista argentina "Notícias", Tompkins afirmou que não veio ao país pela água e que os locais deveriam se importar menos com quem é dono da terra. "O que importa é que o dono, venha de onde venha, pague os impostos como corresponde", disse o empresário. "Além disso, os donos estrangeiros quase sempre trazem dinheiro de fora. Ou seja, esta também é uma forma de importar dinheiro." "

O milionário americano Douglas Tompkins, um dos maiores compradores de terras na Argentina e no Chile

PS: Além de Tompkins, as terras da Argentina também foram vendidas a outros ricos e famosos, como a família Benetton, o fundador da CNN, Ted Turner, e os atores Richard Gere e Matt Damon.  

Escrito por Adriana Küchler às 20h32

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Adriana Küchler Adriana Küchler, 27, é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e repórter da Folha há três anos. Morou no Rio, em Florianópolis e em São Paulo, antes de aterrissar em Buenos Aires..

SITES RELACIONADOS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.