Tangos e Tragédias
Tangos e Tragédias
 

Tevez, o campeão do campeonato europeu

O campeão da Champions League, o campeonato europeu, não foi o Manchester United, ao contrário do que todos leram nos jornais de hoje. O campeão foi Carlitos Tevez.

 

Ao menos é o que acreditam os argentinos, que titularam o nome de seu craque em manchetes de jornal e TV -“Tevez campeão”- após a vitória da equipe inglesa sobre o Chelsea no campeonato europeu.

 

Falava-se tanto desse tema ontem quanto da vitória do Boca sobre o Atlas por 3 a 0 na Libertadores. Tevez só fez converter o seu pênalti, mas, para eles, a taça do campeonato europeu é argentina.

 

Não lembro da metonímia funcionar com tanta força no Brasil, mas por aqui há vários exemplos como esse. O mais marcante foi quando “Tropa de Elite” ganhou o Urso de Ouro em Berlim, em fevereiro.

 

Por aqui, os jornais foram unânimes em dizer que o prêmio foi para a produção argentino-brasileira (na maioria das vezes, a Argentina vinha antes do Brasil) enchendo a bola do co-produtor argentino Eduardo Constantini Jr, que apareceu nas fotos mais do que Wagner Moura ou do que o diretor José Padilha.

 

O ídolo argentino Carlitos Tevez com a taça da Champions League

Escrito por Adriana Küchler às 20h27

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A mídia ainda mente

Como o assunto governo X imprensa parece despertar os leitores deste e de outros blogs, publico aqui trechos das entrevistas que fiz com o editor-geral do jornal “Clarín”, Ricardo Kirschbaum, e com um dos líderes da Juventude Peronista Evita, Pablo Lombardi, que faz parte da base de apoio ao governo e comanda as ações contra o jornal pela cidade.

 

Esses trechos são material extra da matéria sobre a atual crise entre o governo argentino e a imprensa, publicada na Folha de domingo.

 

Em tempo, a presidente Cristina Kirchner voltou a fazer críticas à imprensa ontem. Estas talvez tenham atingido algum jornalista com pretensões literárias.

 

Diante de notícias sobre uma possível crise econômica no país, disse que são as obras do seu governo que ficam. “Dos que falam, ninguém se lembra depois de um tempo. Fazem apenas um minuto de televisão, duas horas de rádio ou uma página de jornal que, no outro dia, ninguém mais se lembra.”

 

 

Kirschbaum sobre o observatório de imprensa lançado por Cristina: “Um observatório de mídia que nasce com apoio oficial já nasce com problemas. Não foi criado para melhorar a qualidade do jornalismo argentino, mas para ser uma ferramenta política. Para eles [o governo], a imprensa é viciada. Nesse contexto, o observatório de meios é mais uma provocação do que uma ferramenta útil.”

 

Kirschbaum sobre a expectativa de que Cristina teria uma relação com a imprensa melhor do que a de seu marido e ex-presidente, Nestor Kirchner: “Era uma expressão do desejo mais do que a realidade. Cristina tem uma concepção mais ideológica a respeito da imprensa. Tem influência de intelectuais com uma visão crítica sobre os meios. A relação de Kirchner era muito menos teórica e mais prática, do ponto de vista do poder.”

 

Kirschbaum sobre a acusação de que o grupo Clarín é um monopólio de mídia: “Hoje, há dez ou 11 diários na Argentina, onde está o monopólio? Tanto as permissões de canais de TV quanto de TV a cabo foram outorgadas por esse governo. Há uma contradição entre a pregação oficial e os atos oficiais.”

 

Pablo Lombardi sobre a acusação de que o grupo Clarín é um monopólio de mídia: “O controle que tem sobre os meios é absurdo, sobre rádios, sobre televisões aberta e a cabo, sobre as retransmissoras em diferentes províncias. São donos de todas as retransmissoras a nível provincial. São os únicos a levar informações a alguns lugares. Por concessões não desse governo, mas de outros governos da época neoliberal.”

 

Pablo Lombardi sobre as críticas da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)  à “posição de confrontação assumida pelo governo contra meios e jornalistas independentes”: O que temos que pensar aqui é nas mãos de quem está a SIP? Garanto que também vão contra a posição de governos que querem um novo projeto de país, como o da Venezuela.

 

 

Pablo Lombardi sobre os erros de enfoque da imprensa: “O que se está discutindo sobre os aumentos de impostos diz respeito a somente 5% dos produtores nacionais. São falsos eixos de discussão. Atribuir problemas como a insegurança a esse governo é fazer leituras simplistas de problemas que vêm sendo construídos há 30 anos.”

 

A Juventude Peronista Evita faz protesto festivo

na frente do estande do Clarín na Feira do Livro 

 

Como diria Nelson Rodrigues, o brasileiro é um feriado. Aqui não tem essa de Corpus Christi, então bom feriado para quem ficou.

Escrito por Adriana Küchler às 21h18

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Incendio en San Pablo

Os argentinos têm um gosto inusitado por desgraças. Não à toa esse blog traz “tragédias” no nome. Há cerca de meia hora, o canal de notícias TN transmite, sem interrupção, informações sobre o “incêndio dantesco” numa fábrica de colchões na “megacidade” de São Paulo. Transmitem informações ou a falta delas e começaram a apresentação com o título "tragédia aérea".

 

Na última meia hora, o canal reproduz “as imagens impactantes” e os apresentadores já leram todas as versões e informações publicadas nos sites da Folha, de “O Estado de S.Paulo” e de “O Globo” e entraram com uma entrevista ao vivo com uma correspondente da Reuters que não tinha muito o que falar porque, ao que parecia, ninguém tinha muitas informações sobre o incidente.

 

Enquanto reproduzem as imagens, na falta de outros dados, informam que o trânsito de São Paulo está “colapsado”, que a chanceler alemã, Angela Merkel, recentemente ficou horas presa no trânsito da cidade e que São Paulo é a cidade que tem mais helicópteros. Como diz um amigo brasileiro que também vive aqui, a TV argentina inventou o rádio.

 

Tv argentina reproduz imagens da tv brasileira

 

 

Escrito por Adriana Küchler às 18h26

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As linhas de Cristina

   Um grupo de amigos da Província de Entre Rios descobriu uma forma diferente de refletir a crise do governo da presidente Cristina Kirchner com o setor agropecuário, que já dura mais de dois meses.

 

     Sobre um campo de soja, "desenharam" a figura uma Cristina sorridente. Sob o comando do artista Gonza Rodriguez, seis amigos, um trator e muitos ancinhos fizeram o trabalho. O making-of da obra de arte campestre está em http://cristinaenelcampo.blogspot.com/

 

    

Escrito por Adriana Küchler às 21h52

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Uma Argentina do Peru

Nem só de carne vivem os argentinos. Ou, ao menos, os estrangeiros que vivem na Argentina. Se os locais comem exagerados 74 kg de carne por ano (são os maiores carnívoros do mundo), a cidade tem ótimos restaurantes além das tradicionais e óbvias parrillas que todo turista quer explorar por aqui.

 

Aqui começa uma campanha para tornar mais conhecida a culinária “alternativa” de Buenos Aires.

 

A primeira dica são dois restaurantes peruanos. O Chan Chan (Hipólito Yrigoyen, 1390) ganha o cliente já no visual, com pinturas de paisagens kitsch feitas direto na parede. O ceviche (peixe marinado acompanhado com cebola, batata, batata doce e milho) é uma delícia e muito bem-servido, e o atendimento atencioso (algo raro por aqui) é feito por peruanas e um paraguaio.

 

No movimentado Status (Virrey Cevallos, 178), é preciso um pouco de paciência para conseguir uma mesa e a atenção dos garçons, mas a comida (e o preço) compensa a espera. Uma boa pedida é o chicharrón (porção de pedaços de frango ou porco).

 

Os dois ficam na região do Congresso, a poucas quadras de distância um do outro, e têm bebidas típicas do Peru, como a chicha morada (bebida feita de milho), a Inca Cola (refrigerante amarelo com gosto de chiclete) e a cerveja Cusqueña.

 

Salão do restaurante kitsch peruano Chan Chan

 

Escrito por Adriana Küchler às 20h39

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PERFIL

Adriana Küchler Adriana Küchler, 27, é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e repórter da Folha há três anos. Morou no Rio, em Florianópolis e em São Paulo, antes de aterrissar em Buenos Aires..

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