Tangos e Tragédias
Tangos e Tragédias
 

Quer pagar quanto?

Por cinzas de um vulcão? Malandros argentinos decidiram aproveitar a desgraça alheia, a erupção do vulcão Chaitén que provocou o deslocamento de milhares de pessoas no Chile, para ganhar um dinheiro.

Vizinhos do vulcão vendem cinzas do Chaitén pela internet por preços que vão de 5 a 10 pesos (R$ 2,65 a R$ 5,30) no leilão ou por 15 pesos para a compra imediata.

Um dos cinco vendedores oferece 400g desse “raro material” e garante que as cinzas vão gerar inveja em seus amigos: “Não tenha só cinzas de cigarros em seu cinzeiro. Seja chique e ponha um pouco de cinza vulcânica”.

 

 

Escrito por Adriana Küchler às 21h29

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Os fiscais do Sarney argentinos

Mais além da carne e do doce de leite, a Argentina é a terra do piquete. Não passa um dia sem. Pois a nova invenção do líder piqueteiro Luís D’Elía, da base de apoio ao governo, é oferecer ao secretário de Comércio os “serviços” de 20 movimentos sociais para ir às ruas controlar os preços “em todos os supermercados da Argentina”. Uma espécie de ressurreição dos famosos “fiscais do Sarney” dos anos 80, em sua versão barulhenta.

 

Não é a primeira vez que a Argentina põe seus fiscais na rua. Em 2005, o ex-presidente Néstor Kirchner também convocou donas-de-casa a sair com tabelinhas na mão para conter a inflação.

 

A inflação é um grande problema argentino e está sob constante suspeita de manipulação pelo governo, que busca novas formas de lidar com a bomba sem assumir que ela está ali.

 

Nesta semana, a presidente Cristina Kirchner culpou os “empresários formadores de preços” pela inflação. O que fez a base de apoio? Um piquete, claro. Ou vários, nesse caso.

 

Na quarta-feira, piqueteiros foram para a frente de shoppings e supermercados exigir o fim da inflação (e comida para seus restaurantes populares). Além de bagunçar o trânsito, o máximo que conseguiram foi uma promessa de “vamos analisar a proposta”.

 

 

Piqueteiros protestam em frente ao Abasto Shopping, um dos principais de Buenos Aires

 

Escrito por Adriana Küchler às 20h30

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Onde chovem cinzas e limonada

Três semanas depois de ter sido tomada por uma intensa fumaça gerada pela queima de pastos que não deixava ninguém respirar, Buenos Aires teve outra surpresa ontem: ficou cinza de uma hora pra outra devido a uma nuvem de cinzas vindas do vulcão Chaitén, no Chile, até então adormecido há uns 2.000 anos, do outro lado da cordilheira dos Andes.

 

Por enquanto, não há motivo para vestir a máscara cirúrgica que virou acessório comum nos dias de fumaça em Buenos Aires (guardei a minha por precaução). As cinzas não devem cair, já que estão a 3.500 metros de altura. Mas tudo pode mudar conforme o vento.

 

No caso-fumaça, muitos receberam a culpa pelo problema: o governo disse que foi a ganância do setor agropecuário (com quem vive um conflito de dois meses), os produtores agrícolas disseram que foi o vento e um policial que entrevistei disse que a culpa toda foi de um meteoro.

 

Até agora, a conseqüência mais grave na capital argentina foi o cancelamento de vôos de companhias aéreas americanas (sempre com um pé atrás) de e para Buenos Aires pela falta de visibilidade.

 

Mas ali nas cidades argentinas mais próximas do vulcão, crianças vão à aula de máscara, policiais patrulham as estradas de máscara e os animais sofrem sem máscara. Bariloche, paixão nacional brasileira, também foi coberta de cinzas.

 

Tudo isso para apresentar um pouco dos tangos e tragédias que acontecem em Buenos Aires todos os dias. Mais uma: entre a invasão da fumaça e a chegada das cinzas, ontem choveu limonada na cidade. O carregamento de um caminhão com 20 toneladas de limões caiu de um viaduto no meio da autopista Nove de Julho, uma das principais da cidade.

 

Bem-vindos!

 

         Buenos Aires tomada pela fumaça há três semanas

        

         Crianças saem do colégio com máscaras em Esquel, cidade argentina próxima ao vulcão

Escrito por Adriana Küchler às 21h37

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Escrito por Adriana Küchler às 15h52

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PERFIL

Adriana Küchler Adriana Küchler, 27, é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e repórter da Folha há três anos. Morou no Rio, em Florianópolis e em São Paulo, antes de aterrissar em Buenos Aires..

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