Buenos Aires segura?
Uma pesquisa sobre segurança em diferentes cidades do mundo tirou do sério o ministro da Justiça argentino, Aníbal Fernández. É que Buenos Aires ficou pra baixo da metade no ranking, em que Luxemburgo aparece em primeiro, como a cidade mais segura, e Bagdá, em 215º, em último.
Buenos Aires ficou em 134º, segundo a pesquisa da consultoria Mercer, a frente de São Paulo, Rio e Caracas, mas atrás de cidades normalmente consideradas mais perigosas, como Assunção ou Lima.
Essa pesquisa "de séria não tem nada", disse Aníbal Fernández. "A verdade é que é uma estupidez que beira a loucura." Para o ministro, a Argentina deve ser um dos países mais seguros, "se não é o mais seguro da América".
Para ilustrar a sensação de insegurança que a cidade pode trazer aos estrangeiros, o jornal "Clarín" de hoje traz uma matéria sobre o levantamento em que relata que a página do Departamento de Estado dos EUA alerta para a presença de "mostaceros" por aqui. Esse tipo de bandido suja a vítima, para depois limpá-la tanto da sujeira quanto dos seus pertences.
Já o escritório internacional do Reino Unido atenta para os seqüestros-relâmpago, e a chancelaria francesa recomenda não ir além do famoso Caminito, no bairro da Boca, e se cuidar no bairro de San Telmo ou na caótica rua Florida.

Aníbal Fernández não gostou nada da pesquisa que mostra Buenos Aires como uma cidade pouco segura
Escrito por Adriana Küchler às 21h10
A história me julgará
O vídeo abaixo já foi assistido mais de 13 mil vezes e, como ele, há outros campeões de audiência no youtube que também reproduzem o não do vice-presidente, Julio Cobos, ao projeto de lei do governo que determinava o aumento de impostos às exportações de grãos.
Difícil entender porque a simples e hesitante fala de um vice, sem palavrões, escorregões ou barraco, tenha virado tamanho sucesso? A história é que esse não, além de uma "traição" de um vice a sua presidente, determinou a primeira derrota do governo Kirchner em cinco anos.
Daí surgiu a "cobosmania". Na internet, é possível comprar camisetas e canecas com as dramáticas, tangueras e já históricas frases de Cobos: "A história me julgará", "Meu voto não é positivo", "Não posso acompanhar e isso não significa que traí ninguém" e a minha favorita "[Há quem diga que tenho que acompanhar mas] meu coração diz outra coisa".
Claro que nem tudo são flores para Cobos, chamado de traidor pelos que apóiam o governo. Grupos kirchneristas espalharam pela cidade cartazes para mostrar que a traição tem suas conseqüências. Aproveitando a data comemorativa de ontem, o principal deles diz "mais sozinho que Cobos no Dia do Amigo".

Escrito por Adriana Küchler às 20h42
Néstor e Cristina x Perón e Evita
Na Folha de ontem, Ferreira Gullar fez uma interessante reflexão sobre esse país inconfundível e uma comparação entre o atual casal presidencial e outro mais antigo e intocável (ao menos por aqui).
FERREIRA GULLAR
De vivos e de mortos
|
A Argentina é um país com caráter original, o que a faz inconfundível e até contraditória |
EM MEIO à crise que a Argentina atravessa, alguém teria ouvido a presidente Cristina Kirchner gritar para o marido Néstor: "Aquí, quién es la presidenta soy yo, carajo!".
A Argentina é um país com características muito próprias, que a tornam inconfundível na comunidade sul-americana. Inconfundível e, sob certos aspectos, contraditória. Por exemplo, se o nível cultural de seu povo é bem mais alto que o de seus vizinhos, por outro lado, no plano político, paga o preço de um atraso -o populismo peronista- que já dura mais de meio século. Nós e os demais países latino-americanos (para ficarmos em família) temos também nossos atrasos mas, talvez, menos arraigados e mais disseminados.
Na Argentina, por certo devido a seu caráter marcadamente original, que não se limita à tradição peronista, há coisas que só acontecem lá, como é o caso do casal Kirchner, uma espécie de reedição da dupla Perón e Evita, ainda que em versão moderna. Mas que Néstor e Cristina formam um casal inusitado, não há dúvida. Se cabe, com referência a eles, a tese de que a história, quando se repete, é em tom de farsa, não sei, mas não me arriscaria a eliminar de todo essa hipótese. É impossível, quando penso neles mas, sobretudo, quando os vejo juntos, não lembrar de Perón e Evita, não como uma repetição da história argentina e, sim, como uma imitação suspeita, em que não confio inteiramente.
Veja bem, não é que Perón e Evita tenham sido exemplos louváveis de líderes políticos. Muito pelo contrário, eles foram a expressão de um populismo sindicalista que pretendia eternizar-se no poder. A morte precoce de Evita -que se havia tornado a mãe dos descamisados- retirou do general-presidente seu principal instrumento de mistificação do poder. De pouco lhe valeu embalsamar o corpo dela e deixá-lo exposto à visitação pública na sede da CGT. Talvez até tenha sido esse um dos motivos do golpe que o derrubou.
Mas isso não foi suficiente, pois o cadáver continuava ali, como uma ameaça, uma espécie de réplica do de Lenine, também líder dos trabalhadores (é que certos líderes não devem morrer e, quando morrem, não podendo ressuscitar como os santos, são embalsamados). Temerosos, os militares argentinos roubaram o cadáver de Evita e o sepultaram num distante cemitério de Milão, na Itália, dando início a uma espécie de vaudeville macabro.
Não se tem notícia de nada parecido na história política nem se imagina que Néstor e Cristina venham a passar por lances semelhantes. No entanto, foi Perón mesmo que tentou copiar sua própria história, casando-se, após ter sido deposto, com Isabelita, dançarina, mulher da noite como Evita, que era cantora. E, assim que pôde, eleito de novo presidente da Argentina, trouxe a tiracolo, como vice, a nova esposa.
Mas, bem antes disso, exilado em Madri, recebeu de volta o cadáver de Evita, que havia sido exumado do túmulo em Milão. Pateticamente, manteve-o em sua casa, sob os cuidados de Isabelita, que, regularmente, a penteava e maquiava, com espantosa dedicação.
Eu estava em Buenos Aires, a caminho de Santiago do Chile, em 1973, quando Perón disputava a presidência. Ouvi um de seus discursos no rádio do hotel. Um ano depois, morto Allende, ao descer no aeroporto de Ezeiza, o carregador de bagagem, comovido, me comunicou:
-Estamos de luto, morreu Perón.
Se o velório de Evita durara 15 dias, o de Perón durou quatro, e Isabelita assumiu o governo para ser deposta, dois anos depois, pelos milicos de sempre. A iminência parda de seu governo chamava-se Lopez Rega e tinha fama de bruxo. Um de seus primeiros atos foi trazer de volta o corpo de Eva Perón para a exibição pública em Buenos Aires, certamente visando manter vivo o culto à mãe dos pobres. Os milicos rosnaram e ela mandou finalmente sepultá-la ao lado do marido (das duas). Uma história que seria inconcebível no Brasil, em que pese a nossa fama de país surrealista, talvez porque sejamos mais chegados a um samba que a um tango.
E tanto assim é que, ao ler aquela frase de Cristina Kirchner, o que me veio à mente nada tinha de macabro: lembrei-me de um fato, que embora ocorrido na época de Perón e Evita, me fez rir de novo. O embaixador brasileiro, em Buenos Aires, foi visitar o ministro argentino das Relações Exteriores, acompanhado de sua esposa, quando a senhora do ministro, para mostrar-se familiarizada com o Brasil, falou:
-Son muy semejantes nuestros idiomas, verdad? Nosotros decimos carajo y ustedes dicen "caralho", no?
Sim, digo eu agora, mas não na presença de senhoras.

Néstor e Cristina Kirchner, em clima de festa peronista
Escrito por Adriana Küchler às 20h27
Dia do Amigo e o rei Roberto
Roberto Carlos volta a esse blog por um bom motivo. Hoje é Dia do Amigo, data que, aqui em Buenos Aires, é tão celebrada quanto o Dia das Mães ou o dos Pais. Grupos de amigos se reúnem em restaurantes e bares para comemorar, trocam presentes, fazem churrascos... Lojas e restaurantes aproveitam para ganhar um extra e fazem promoções para atrair os amigos.
Robertão é sempre usado como referência quando se fala em amigos por aqui. Uma das canções favoritas do rei entre os argentinos é aquela do "Eu quero ter um milhão de amigos..."
Hoje, o canal de notícias TN voltou a unir o rei aos amigos argentinos. Pediu a seus telespectadores que enviassem fotos do Dia do Amigo e, enquanto transmitiam as imagens enviadas, tocavam a música "Amigo", do rei Roberto. O que surpreendeu é que a versão era um tanto inusitada. "Amigo" aparecia com uma pegada punk e cantada em espanhol pela banda Attaque 77, que fez um disco só de covers e não podia deixar a canção do rei de fora.
Escrito por Adriana Küchler às 23h44
A primeira derrota dos Kirchner
Na Folha de ontem:
Fiz questão de registrar aqui as duas matérias abaixo, publicadas no jornal, porque o fato é realmente histórico, como dizem os argentinos. Segundo meu amigo correspondente da revista "The Economist", o não de Julio Cobos no Senado, na última quinta-feira, é o fato político mais importante acontecido na Argentina desde que ele chegou por aqui, há uns quatro anos.
Cristina revoga aumento de imposto que detonou crise
Decisão acontece após Senado rejeitar proposta em disputa desempatada por vice
Alta da alíquota sobre a exportação de grãos levou a quatro meses de protestos de ruralistas e queda da popularidade da presidente
Natacha Pisarenko/Associated Press![]() |
Cristina recebe presidente lituano;
recuo do governo é inédito
ADRIANA KÜCHLER
DE BUENOS AIRES
Depois de 129 dias de conflito com o setor agropecuário, a presidente argentina, Cristina Kirchner, assinou ontem um decreto anulando o aumento de impostos sobre as exportações de grãos instituído em março, que gerou uma crise que ainda se arrasta com o campo.
O anúncio, que, na teoria, acaba com a guerra, foi feito um dia depois de o Senado, com o voto de Minerva do vice-presidente Julio Cobos, ter derrubado o projeto de lei que tratava do tema -no que foi considerada a maior derrota política de Cristina e de seu marido e antecessor Néstor Kirchner.
A criação em 11 de março dos chamados impostos móveis, que variam conforme o preço dos produtos no mercado internacional, gerou quatro locautes ruralistas, bloqueios de estradas, desabastecimento e aumento da inflação.
Diante da posição intransigente do governo, a classe média, a oposição e parte da base governista se uniram ao campo. Com a anulação, os impostos voltam a ser os de 10 de março.
Ao anunciar a decisão em nome da presidente, o chefe-de-gabinete, Alberto Fernández, mostrou a insatisfação do governo. "A resolução foi pretexto para um violento locaute que iniciou uma escalada de bloqueios de estradas, desabastecimento, ações verbais e físicas", disse Fernández. "Ficará sem efeito para que seja tratada em outro âmbito, sem pressões nem agressões."
A anulação da chamada "resolução 125", a principal exigência dos ruralistas, foi comemorada com moderação por líderes agropecuários e pela oposição, que buscam discutir outras questões com o governo.
Sem comentar diretamente a derrota no Senado, a presidente recebeu ontem na residência oficial os parlamentares que votaram com o governo para parabenizá-los.
Efeitos
A conseqüência imediata do fim dos impostos móveis, do ponto de vista econômico, deve ser um forte aumento das exportações de soja do país, que estariam estocadas à espera de uma decisão sobre a manutenção do aumento de impostos.
Sob a perspectiva política, a anulação da medida é apenas o ápice de uma longa crise. "O resultado no Senado e o fim da resolução não aconteceram de um dia para o outro", diz o analista político Ricardo Rouvier. "Foi como culminou um processo contraditório em que o governo foi perdendo consensos, a opinião pública e suas vantagens no Congresso."
Durante os quatro meses de crise, Cristina fez várias alterações no projeto para tentar acalmar os ânimos dos produtores rurais e da oposição.
Ainda em março, anunciou medidas que beneficiariam os pequenos produtores. Em abril, decidiu-se que esses receberiam a restituição do aumento. Em maio, anunciou tetos mais baixos para as alíquotas.
Mas, desde o início, ninguém entendia para que serviam os impostos. Então Cristina anunciou, em junho, que seriam aplicados na construção de hospitais e casas populares. Nenhuma das técnicas funcionou e, há um mês, a presidente enviou o projeto ao Congresso, com a esperança de vê-lo aprovado e se livrar do problema, já que o governo tinha maioria nas duas Casas antes da crise.
A lei passou com uma vitória apertada na Câmara de Deputados e acabou derrubada pelo Senado e pelo próprio vice-presidente, Julio Cobos. Era a primeira derrota dos Kirchner.
E mais: Campo pressionará por mais concessões
Foco: Tratado como herói após voto histórico, Cobos recebe parabéns até de Maradona
Escrito por Adriana Küchler às 23h25
O começo do fim
Na Folha de hoje:
Vice de Cristina barra no Senado alta de imposto polêmico
Na primeira grande derrota da presidente argentina, Julio Cobos desempata no Senado contra aumento que causou crise com campo
Em discurso após episódio, mandatária afirma que "nunca traiu o povo"; apesar de decisão, medida só sai de vigor se ela ordenar
Juan Mabromata/France Presse![]() |
ADRIANA KÜCHLER
DE BUENOS AIRES
Com um surpreendente voto de Minerva opositor, o vice-presidente argentino, Julio Cobos, impôs ontem a primeira grande derrota aos Kirchner: a presidente Cristina e seu marido e antecessor, Néstor, viram cair no Senado o projeto de lei que aumentou os impostos sobre as exportações de grãos. "A história me julgará", disse Cobos ao desempatar a votação contra o governo.
A alta das alíquotas detonou uma crise com o setor rural que se arrasta há quatro meses, abalou a popularidade de Cristina e erodiu sua base de apoio.
Diante do empate na votação do projeto entre os senadores, com 36 votos a favor e 36 contra, a decisão final coube ao vice, que, na Argentina, também preside o Senado. Cobos resistiu até o último momento a dar sua posição. Após o resultado, pediu um intervalo no debate, que foi negado. Convocou então outra votação em que o empate se repetiu. E, depois de 18 horas de sessão, às 4h25, ante uma "responsabilidade histórica", votou contra o governo.
"Há quem diga que tenho que acompanhar [Cristina] pela institucionalidade, pelo risco que implica, mas meu coração diz outra coisa. E não acredito que isso seja motivo para pôr em risco a governabilidade e a paz social", declarou Cobos.
Em um evento, à noite, a presidente faria referências indiretas ao vice. "Alguns não entenderam o que prometemos em outubro [quando foi eleita]. Os pobres não são apenas discurso eleitoral." Disse ainda que ela e o povo podiam "nos olhar nos olhos e saber que nunca nos traímos".
Foi a terceira vez que um presidente do Senado desempatou a votação de um projeto. Mas foi a primeira que a decisão foi contra o governo.
A resolução derrubada foi anunciada pelo governo em março e provocou quatro locautes agropecuários, com bloqueios de estradas e desabastecimento. O governo, que antes da crise tinha uma maioria segura nas duas Casas do Congresso, conseguiu a aprovação na Câmara por apenas sete votos. No Senado, a maioria derreteu. Legisladores, prefeitos e governadores que antes apoiavam o governo, preferiram se manter ao lado dos eleitores.
Herói ou traidor?
Enquanto oposição e ruralistas tratavam o vice-presidente como um herói, movimentos kirchneristas como o La Cámpora, em que milita o filho do casal presidencial, pediam a renúncia de Cobos.
O vice, no entanto, afirmou que não pensa em deixar o cargo. "Nem me passou pela cabeça renunciar, pois isso seria trair a vontade popular", disse Cobos, que costuma afirmar que foi eleito como Cristina.
Antes um vice-presidente sem expressão, em meio à crise ele assumiu uma posição "independente" ao convocar prefeitos e governadores para discutir o aumento de impostos e propor que o projeto fosse discutido no Congresso.
A decisão do Senado não acaba com o imposto nem com a crise, já que a resolução só pode ser derrubada pela presidente. Pela Constituição, o projeto também não pode voltar ao Congresso neste ano. Líderes agropecuários e da oposição esperavam ontem que o governo respeitasse a votação, como sugerira antes Néstor Kirchner.
E mais: Para analistas, casal Kirchner buscou derrota
Após decisão, festas e ataques ao Congresso
Voto contra alça Cobos de coadjuvante a herói da oposição
Escrito por Adriana Küchler às 20h36
O sumiço dos jornais
Diante do megaconfronto entre campo e governo que se espalhou pelas ruas de Buenos Aires ontem, reunindo mais de 300 mil pessoas em dois atos "inimigos", e se fechou no Senado hoje, os jornais de hoje desapareceram das bancas.
No bairro "cheto" (metido) da Recoleta, um dos poucos onde o conservador "La Nación" supera as vendas do "Clarín", mais liberal, a pilha do "Clarín" estava vazia em várias bancas. "Muitas pessoas que só compram o "La Nación", levaram dois ou três jornais para saber mais sobre os acontecimentos de ontem e de hoje", contou meu 'quiosqueiro' Gabriel (que trabalha, no quiosco, a banca).
Depois de rodar por três ou quatro bancas, não consegui comprar o jornal "Crítica", atualmente o mais divertido e polêmico. Estava esgotado em todas.
Mas, se os atos e discursos fizeram sucesso com o público que compareceu aos eventos e com o que comprou os jornais no dia seguinte, na TV parece que a briga não foi campeã de audiência. Enquanto os discursos de representantes do campo e do governo eram reproduzidos por vários canais, quem liderava o ibope era mais um episódio dos Simpsons, paixão nacional argentina.

Ato do campo contra o projeto de aumento de impostos do governo reuniu cerca de 200 mil pessoas ontem no bairro de Palermo
Escrito por Adriana Küchler às 13h38
Flores ou ossos?
Turistas que têm o Jardim Botânico de Buenos Aires como um dos pontos turísticos a ticar na sua lista devem estar frustrados. Há duas semanas, o Botânico, uma das áreas verdes mais agradáveis e cheias de gatos (o bicho) da cidade, foi fechado e seu diretor afastado diante da acusação de que empregados estavam cobrando dinheiro para realizar o enterro de restos humanos no local.
Hoje, chegou a notícia: a Comissão de Direitos Humanos do Congresso afirmou que um grupo de antropólogos forenses encontrou por ali "restos ósseos e dentaduras e duas urnas com restos humanos, com nomes e datas de morte", informou o jornal "Clarín".
O enterro ecológico parece não ser uma novidade: dois ex-jardineiros já haviam denunciado a prática.
Outras irregularidades tomam conta do até então reduto de paz. Uma reportagem do canal de TV América mostrou que dois funcionários cobravam dinheiro para permitir gravações e sessões de fotos no parque. Os dois foram presos, mas o Botânico continua fechado.

Entre as plantas e estátuas do Jardim Botânico, investigadores buscam restos de corpos
Escrito por Adriana Küchler às 20h55
Piquete gastronômico
A nova modalidade de piquete dos argentinos é fazer protesto contra funcionários do governo em restaurantes. O último atingido pela moda foi o polêmico secretário de Comércio, Guillermo Moreno.
Em meio ao conflito do governo argentino com o campo, uma senhora dona-de-casa de família ruralista teria abordado o casal Moreno durante um jantar com críticas à atuação do governo no conflito. Acabou levando um "cachetazo" (bofetada) da mulher do secretário na saída do restaurante. Ou seja, na verdade, a atingida foi ela, que apresentou queixa à polícia.
O primeiro a sofrer com o piquete gastronômico foi o ex-ministro da Economia Martín Lousteau, o responsável pelo polêmico aumento de impostos às exportações de grãos, que provocou a atual crise e a sua demissão.
Relaxando em um restaurante de Paris, já de folga, depois de deixar o cargo, Lousteau enfrentou a ira de uma mesa de argentinos que o xingavam de "ladrão" a "sem-vergonha". Sem poder controlar o piquete, os funcionários do restô pediram que Lousteau deixasse o local.
Em tempo, o secretário Moreno é conhecido por suas posições radicais e duros métodos de negociação. No mês passado, apareceu em um ato do governo na praça de Maio escoltado por Jorge Cali, um campeão de kickboxing.
![]()
O secretário Moreno protegido pelo kickboxer Cali
Escrito por Adriana Küchler às 20h08
Muito além do tango
Uma dica musical para mostrar que nem só de tango vive o argentino. O Los Alamos é um grupo de folk rock, já classificado como "rock desértico" e chamado por eles mesmos de "narco country". Na prática, a mistura de influências de Bob Dylan, Neil Young e afins faz com que seus shows performáticos estejam sempre lotados.
No ano passado, passaram pelo Brasil acompanhando a lenda do dub Lee Scratch Perry. Em entrevista à Folha, o vocalista Peter afirmou que "para quem conhece rock, não soamos como nada de novo, mas para a Argentina somos como extraterrestres. Não falamos de nacionalismo, nem de futebol, nem do Maradona".
Escrito por Adriana Küchler às 23h27
Tango do avião
Imagens de passageiros da companhia aérea Aerolíneas Argentinas presos por horas nos dois aeroportos da Grande Buenos Aires, à espera de vôos que levam horas (e até dias) para sair, se tornaram comuns.
Às vésperas da Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul, no fim do mês passado, quando aos problemas da empresa se somou uma forte neblina em Buenos Aires, comitivas inteiras dos países integrantes do bloco tiveram que dar o seu jeitinho, fretando aviões ou emprestando aeronaves oficiais, para garantir a presença no evento.
Agora, a crise chega ao auge, com o pedido de intervenção judicial do governo, que ameaça reestatizar (ou argentinizar) a empresa.
Segue texto sobre o tema publicado ontem na Folha e link para o texto de hoje:
Diante da crise em que se encontra a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, o governo local e sindicatos de trabalhadores da aviação entrarão hoje com pedido na Justiça para que a empresa garanta o pagamento do salário dos funcionários.
O anúncio aconteceu após reunião de representantes dos sindicatos de aeroviários com funcionários do ministério do Trabalho e da secretaria de Transportes e em meio a rumores de que o governo enviará ao Congresso um projeto para reestatizar a empresa, privatizada em 1990. Em troca do pedido de intervenção judicial pelo governo, os empregados da Aerolíneas se comprometeram a garantir os serviços por dois meses, sem greve ou protesto.
A empresa, controlada pelo grupo espanhol Marsans, passa por grave crise. Anteontem, o atraso nos pagamentos de junho provocou a paralisação dos trabalhadores e conseqüentes atrasos e cancelamentos de vôos. A empresa está endividada, perdeu US$ 100 milhões desde janeiro e tem 50% de sua frota parada. Para amenizar a crise, o governo autorizou há duas semanas o aumento de tarifas na empresa e a concessão de subsídios a combustíveis.
A intervenção judicial seria um primeiro passo para que passe a ser controlada por empresários argentinos ou volte ao controle do governo, que hoje tem apenas 5% do controle acionário. A ação, no entanto, estaria criando um atrito entre o governo argentino e o espanhol, já que os atuais donos da Aerolíneas são também dirigentes de uma importante central empresarial espanhola.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1107200822.htm

Escrito por Adriana Küchler às 11h14
Chaves x Quico
Uma notícia leve para o feriado.
A série Chaves não é argentina, mas mexicana, mas consegue fazer ainda mais sucesso por aqui do que no Brasil. Além de reprisar os episódios constantemente, os argentinos ainda repercutem notícias dos atores que interpretam os personagens.
A última "bomba" por aqui é que o Quico (nesse caso, o ator Carlos Villagrán) acusou o Chaves (Roberto Gómez Bolaños), a dona Florinda (Florinda Meza), a Chiquinha e o professor Girafales de realizarem shows exclusivos para traficantes.
Dessa vez foi Quico quem deixou o Chaves louco. Mas Chaves respondeu sem descer do barril. "E pensar que eu o criei. Todos os personagens do Chaves são criações minhas e eu sempre esperei que brilhassem", disse Chaves-Bolaños.
A origem de todo esse rancor entre os amigos da vila seria, claro, a dona Florinda. Chaves e dona Florinda mantêm uma relação há 30 anos (se casaram há quatro), mas, antes disso, ela teria sido namorada do Quico.
"Florinda era minha namorada e Roberto pediu que eu terminasse a relação porque o canal não via com bons olhos a relação entre artistas da mesma série", disse Quico. "Depois, descobri que eles tinham um caso." Gentalha!
PS: Aqui, Chaves e seus amigos passam as férias em Acapulco mesmo. O canal argentino fez o favor de não transferi-los para Mar del Plata, ao contrário do brasileiro, que mandava os personagens ao Guarujá, deixando crianças não-paulistas um tanto perdidas.

Com todo esse charme, Chaves roubou a dona Florinda do Quico
Escrito por Adriana Küchler às 13h29
De mão beijada
Presidente pode ganhar presente? Foi a pergunta que os argentinos se fizeram em maio quando a presidente Cristina Kirchner ganhou o novíssimo laptop Mac Book Air, que custa cerca de R$ 5.000, de um empresário mexicano.
Naqueles dias, Cristina prometeu criar um registro dos presentes que recebe. Pelo visto, até agora nada.
Na última quarta-feira, a ONG Poder Cidadão, ligada à Transparência Internacional. entrou com uma denúncia no Escritório Anti-Corrupção para esclarecer o caso.
![]()
O presidente da Telmex, Carlos Slim, com Cristina, a quem regalou um Mac Book novinho
Escrito por Adriana Küchler às 23h35
Sessão da madrugada
Dezenove horas foi o tempo que durou a sessão da Câmara dos Deputados argentina que permitiu uma vitória apertada do governo, com a aprovação de seu projeto de aumento de impostos às exportações de grãos para a tristeza do setor agropecuário e da oposição.
Prevista para começar às 10h da manhã de sexta-feira, a reunião foi iniciada eram quase 19h, quando conseguiram quorum. Consegui acompanhar os discursos mais ou menos até meia-noite. Depois não agüentei. Liguei a TV às 3h e às 4h, e os deputados ainda estavam lá, com os ânimos exaltados defendendo seus projetos no Congresso.
No dia seguinte, o projeto foi aprovado às 12h. Às 14h, saíram os detalhes do documento. Aí foram chuvas de papel picado e abraços apertados. Com votos contados a migalhas, o governo conseguiu uma vitória suada.
Depois, suados e com profundas olheiras estavam os deputados e os jornalistas que passaram 19 horas cobrindo o evento em clima de reality show. O Congresso ficou repleto de caixas de pizza e copinhos de café. E, mais uma vez, tivemos que escutar um apresentador do canal de notícias C5N contando que não teve tempo nem para ir ao banheiro.

Suados e cansados, deputados kirchneristas comemoram a vitória oficialista depois de 19h de debate
Escrito por Adriana Küchler às 22h51
Paz e petróleo
No próximo dia 12, a Quarta Frota americana deve começar a passear pelas águas do Sul. Até agora, só o presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia demonstrado sua preocupação com o fato. Na terça-feira, na Cúpula de Tucumán, Lula mostrou que também desconfia da missão e já tomou suas medidas.
Abaixo, matéria publicada, na quarta-feira, na Folha, sobre as preocupações dos líderes com a Quarta Frota:
Lula e Chávez questionam Quarta Frota
DE SAN MIGUEL DE TUCUMÁN
O Brasil pediu aos EUA que expliquem a razão do relançamento da Quarta Frota na América do Sul, Central e Caribe. O presidente Lula afirmou ontem que o chanceler Celso Amorim espera uma resposta sobre a questão da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
Segundo os EUA, o restabelecimento da esquadra, que existiu entre 1943 e 1950, visa o combate ao narcotráfico, a ajuda humanitária e a assistência médica, além de exercícios militares conjuntos com aliados. A frota, que deve iniciar sua missão no dia 12, não teria porta-aviões.
Segundo Lula, o tema tem sido discutido pelo governo brasileiro.
""Descobrimos petróleo a 300 km da costa brasileira. Qual é a lógica dessa Quarta Frota se vivemos numa região pacífica? Nossa única guerra é contra a fome e a pobreza", afirmou.
O assunto foi abordado ainda pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante a cúpula do Mercosul na Argentina.
"Não tenho dúvidas de que é uma ameaça e precisamos que alguém nos explique o porquê", afirmou Chávez.
Ele destacou que os recursos naturais da região são fundamentais em tempos de crise alimentar e energética. "Devemos estar preparados para ver o que querem fazer aqui", disse. (AK)

Chávez e Lula, preocupados com a ação dos EUA nos mares do Sul
Escrito por Adriana Küchler às 12h51



